Como o cérebro trabalha para interromper um pensamento


Se você se pergunta se algum dia conseguirá eliminar pensamentos indesejados, a ciência diz que você já pode fazer isso, se o seu hipocampo estiver abastecido de um neurotransmissor específico.

O neurotransmissor responsável por inibir as ações do nosso sistema nervoso é chamado ácido gama-aminobutírico ou GABA. Pesquisas anteriores sobre a incapacidade humana de suprimir pensamentos intrusivos foram focadas no desempenho insuficiente do GABA no córtex pré-frontal, parte do cérebro que controla a tomada de decisões e a memória.

Porém, um artigo publicado no jornal Nature Communications explica que o GABA responsável por essa função de controlar nossos pensamentos está localizado no hipocampo. Quanto mais altas as concentrações de GABA no hipocampo, mais preparado para eliminar pensamentos indesejados o córtex pré-frontal fica.

"Uma das coisas que realmente me empolgam é que a pesquisa unifica as diversas observações de elevada atividade do hipocampo", explica Michael Anderson, autor do artigo.

As descobertas devem ajudar a explicar por que algumas pessoas têm dificuldade de tirar memórias traumáticas, preocupações ou paranoias de suas mentes. Um adulto psicologicamente saudável pode ficar pensando sobre quando chamou a professora de mãe em 1997, mas a incapacidade mais severa de suprimir esses pensamentos é uma característica comum em distúrbios psiquiátricos.

Os pesquisadores combinaram um método estabelecido de medir a eliminação de pensamentos chamado Paradigma Think / No-Think (pensar/ não pensar) com testes de memória de múltiplas fases. Em alguns foram mostrados aos participantes círculos coloridos associados a dois botões para apertar, depois de identificarem os botões corretos foram dadas duas novas cores para continuar o processo. Os participantes eram instruídos a responder o mais rápido possível ou pararem de responder se ouvissem um bip primeiro. Outra fase incluiu memorização de pares de palavras e os participantes repetiram o teste até que se lembrassem de pelo menos 40% dos pares.

Os resultados foram processados por meio de ferramentas de neuroimagem, como ressonância magnética. Com base nisso, os pesquisadores chegaram à conclusão de que os participantes cujos cérebros continham mais GABA no hipocampo tinham melhor controle de recuperação de memória, apoiando sua teoria de que o neurotransmissor é crucial para a eficácia do córtex pré-frontal.

Em teoria o fortalecimento da comunicação entre os receptores GABA no hipocampo daria ao seu córtex pré-frontal as ferramentas necessárias para gerenciar sintomas de esquizofrenia, depressão, ansiedade e transtorno de estresse pós-traumático. O novo estudo não oferece terapia específica em si, mas é bem possível que possa formar a base de testes para tratamentos futuros.





Texto adaptado do original de Kastalia Medrano