Revisão de neurologia: Parte autonômica sacral é simpática e não parassimpática.

O sistema nervoso autonômico (ou autônomo) já é um velho conhecido. Ele regula diversas funções vegetativas como a respiração, circulação, digestão, etc.

As diferenças anatômicas e funcionais permitem dividir o SNA em duas partes, também bastante conhecidas, sendo estas simpático e parassimpático. 

Com base nessas diferenças citadas acima, o sistema nervoso simpático é associado à região toracolombar enquanto o parassimpáticl associado à região cranio-sacral.

E é aqui que uma descoberta científica recente acaba de propor uma revisão.

Espinosa-Medina et-al reavaliaram as funções dos neurônios autonômicos da região sacral, com base em análises anatômicas e moleculares e apontam para uma recategorização.

Nessa pesquisa realizada em camundongos, os neuronios antes classificados como parassimpáticos, e que controlam funções do reto, bexiga e órgãos genitais, mostraram-se indistinguíveis dos ramos simpáticos toracolombares. Os pesquisadores concluem que o sistema nervoso parassimpático recebe informações exclusivamente por nervos craniais enquanto o simpático recebe por vias espinais torácica, lombares e sacrais inclusive.

Mais detalhes serão publicados em breve em uma revisão deste artigo e na publicação mensal do Atlas de Quiropraxia.

Fonte:

Science  18 Nov 2016:
Vol. 354, Issue 6314, pp. 833-834




Quiropraxia é segura?

Texto: Ricardo Fujikawa

Vi esta pergunta circulando pela mídia escrita e digital e confesso que fiquei surpreendido com o fato de que as pessoas ainda tenham dificuldade de saber a diferença entre uma profissão e os procedimentos terapêuticos de tal profissão.

Para entender isto, poderíamos fazer a mesma pergunta substituindo a palavra quiropraxia por odontologia, engenharia, biomedicina, medicina, entre outras, para notar a falta de senso em tal pergunta. Deveríamos, sim, perguntar se os procedimentos usados pelo profissional são seguros ou que os riscos inerentes sejam inferiores às necessidades e benefícios de tais procedimentos.

Em fevereiro deste ano, recebi um e-mail da Associação de Quiropraxia dos EUA (ACA). Neste e-mail, se comentava a morte de uma celebridade americana, a modelo Katie May, conhecida como a “Rainha do Snapchat” daquele país. Segundo relatos e publicações na sua conta de Twiter, Katie May havia saído de uma sessão de fotos e depois disto, sentia dores no pescoço. (figuras 1 e 2)














Fig 1














Fig 2

A princípio, os comentários especulavam se ela teria sofrido uma queda ou algum tipo de traumatismo que justificasse sua morte ou até mesmo minimizasse a responsabilidade do profissional que a atendeu. Entretanto, segundo testemunhas, ela apenas ficou muito tempo em posturas pouco cômodas e que isto levou ao quadro de dor cervical que a fez procurar um quiropraxista. Vale comentar que, nos EUA, o quiropraxista faz parte do sistema de saúde, tendo acesso ao nível primário de contato tal como o clínico geral. Uma pessoa com cervicalgia ou lombalgia pode tanto procurar um médico como pode procurar um quiropraxista.

No dia 29 de janeiro, Katie publica no Twitter que seu pescoço doía e que ela havia ido ao quiropraxista pela manhã. No dia 1º de fevereiro, Katie comenta que ainda dói e que iria ao quiropraxista no dia seguinte (2 de fevereiro). No dia 4 de fevereiro, ela falece.

Tudo isto aconteceu em fevereiro. Por que somente agora em outubro o assunto voltou às páginas de toda a imprensa mundial? Porque foi agora em outubro que foi publicado o laudo do legista sobre a causa da morte da modelo. Segundo o legista Ed Winter, a causa da morte foi devido a um acidente vascular cerebral causado pela dissecção da artéria vertebral esquerda, secundária a uma manipulação articular quiroprática.

Desde então, se levantou esta grande discussão sobre a segurança dos procedimentos quiropráticos. Existe muita opinião infundada e muita especulação sobre o assunto. Detratores da quiropraxia viram nisto a oportunidade dourada de desferir um golpe à profissão.

Entretanto, deixando de lado toda a comoção e desinformação gerada, a pergunta relevante que tem que ser levantada é: se os procedimentos quiropráticos de ajuste/manipulação articular são necessários e, mais importante ainda, se são seguros.

Para responder estas perguntas tão relevantes, precisamos olhar as evidências científicas. Vivemos em uma era em que a Prática Baseada na Evidência (Sackett D, 2002) se impõe em todos os setores, principalmente na área da saúde.   Dentro deste princípio, as decisões terapêuticas necessitam estar baseadas em três pilares fundamentais:

-          A melhor evidência disponível sobre determinado procedimento,
-          As habilidades do profissional,
-          As preferencias do paciente.

Sobre as evidências, a melhor maneira de ver isto traduzido a nível prático, é observar os protocolos e consensos sobre determinadas condições e seu tratamento.

Em 2008, A Divisão Ortopédica da Associação Americana de Fisioterapia (APTA) publicou diretrizes sobre o tratamento clínico de cervicalgias 1. Em suas recomendações, a primeira intervenção terapêutica recomendada foi:

 “os clínicos devem considerar a utilização da mobilização e manipulação cervical, com ou sem impulso, com a finalidade de reduzir a dor cervical e a cefaleia.”

Em 2016, Brussières e colaboradores apresentam uma diretriz para o transtornos associados a cervicalgia e para os transtornos associados a lesão “em chicote” cervical2.  Esta diretriz recomenda para cervicalgias de aparecimento recente (0-3 meses), um tratamento multimodal com mobilização ou manipulação cervical, exercícios que devem ser realizados em casa para recuperar a amplitude de movimento e terapias manuais multimodais.

Vemos que para os casos de cervicalgia, as evidências recomendam a mobilização e/ou manipulação cervical.

Este procedimento deveria ser aplicado por um profissional com formação e habilidade para realizá-lo. Os quiropraxistas são profissionais competentes para realizar este tipo de procedimento, embora não sejam os únicos.

Para concluir, nos resta a pergunta sobre a segurança, ou melhor, sobre os riscos do procedimento.

Muitos quiropraxistas respondem às críticas, de que os procedimentos quiropráticos trazem risco de morte, com uma resposta parecida dizendo que os procedimentos médicos (prescrição farmacológica e cirurgias) matam mais do que os procedimentos quiropráticos, porém isto não responde a pergunta que todos desejam saber. Além do mais, sempre se argumenta que os procedimentos médicos são necessários e que os procedimentos quiropráticos são desnecessários porque carecem de importância terapêutica.

Novamente, é importante ver o que mostram as evidências científicas.

Sobre a dissecção da artéria vertebral, estudos biomecânicos realizados sobre estas artérias revelam que a tração provocada por um movimento normal ou mesmo por uma técnica de ajuste/manipulação cervical é cerca de 23 y 78 vezes inferior, respectivamente, à deformação necessária para provocar lesão nestas artérias3,4,5.

Recentemente, um grupo de neurocirurgiões da Penn State Hershey Medical Center (Universidade Estadual da Pensilvânia) publicou uma revisão sistemática e uma meta-análise sobre este tema, e concluíram6:

“Não existe evidência convincente que apoie uma relação causal entre a manipulação quiroprática e a dissecção da artéria cervical. A crença de que existe tal relação causal pode trazer consequências significantemente negativas tais como litígios judiciais numerosos.”  

O que aconteceu com a modelo Katie May é um fato lamentável para todos, porém jamais deveria ser utilizado para desacreditar uma profissão. Todo procedimento terapêutico é dotado de um risco inerente, porém é necessário que o público tenha as informações corretas para poder decidir. Recentemente a Faculdade Palmer de Quiropraxia publicou um estudo comparativo dos tratamentos para a cervicalgia e os riscos graves e/ou morte associados a estes procedimentos. Esta é a tabela resultante:


Fonte: www.palmer.edu/gallup-report/sources/

Vemos que o risco do procedimento quiroprático é menor que 1 para cada 1 milhão de ajustes/manipulações vertebrais, enquanto que o uso de anti-inflamatórios leva a um risco de 153 para 1 milhão.

Nesta era em que as informações são rápidas e se espalham de maneira imediata, é fundamental ter a capacidade de buscar informações fidedignas. As evidências científicas ainda constituem-se na melhor fonte de informação.


Sobre o autor:
Ricardo Fujikawa é formado em Medicina e especialista em Medicina Interna e Hematologia pela Faculdade de Medicina de Marilia.
É também formado em Quiropraxia com honras (Doctor of Chiropractic Magna Cum Laude) pela Palmer College of Chiropractic, em Davenport, estado de Iowa. Possui seu título de mestre registrado pela Universidade de Lisboa e exerce a docência no Real Centro Universitario Mª Cristina em Madri, Espanha.




Referências:
1.       Childs JD, Cleland JA, Elliott JM, Teyhen DS. Neck Pain Clinical Practice Guidelines Linked to the International Classification of Functioning, Disability, and Health From the Ortopaedic Section of the American Physical Therapy Association. Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy. Vol.38:Issue.9:A1-A34
2.       Brussieres AE, Stewart G, Al-Zoubi F. The Treatment of Neck Pain-Associated Disorders and Whiplash-Associated Disorders: A Clinical Practice Guideline. J Manipulative Physiol Ther. 2016 Oct; 39:523-44.e20
3.       Symons BP, Leonard T, Herzog W. Internal forces sustained by the vertebral artery during spinal manipulative therapy. J Manipulative Physiol Ther. 2002 Oct;25(8):504-10
4.       Herzog W, Leonard TR, Symons B, Tang C, Wuest S. Vertebral artery Straits during high-speed, low amplitude cervical spinal manipulation. J Electromyogr Kinesiol. 2012 Oct;22(5):740-6. doi: 10.1016/j.jelekin.2012.03.005. Epub 2012 Apr 5
5.       Piper SL, Howarth SJ, Triano J, Herzog W. Quantifying strain in the vertebral artery with simultaneous motion analysis of the head and neck: a preliminary investigation. Clin Biomech (Bristol, Avon). 2014 Dec;29(10):1099-107
6.       Church EW, Sieg EP, Zalatimo O, Hussain NS, Glantz M, Harbaugh RE. Systematic Review and Meta-analysis of Chiropractic Care and Cervical Artery Dissection: No Evidence for Causation. Cureus. 2016 Feb 16;8(2):e498




Neurocientistas criam mapa com 97 novas áreas do Cérebro

Neurocientistas criam mapa com 97 novas áreas do Cérebro

Uma nova pesquisa mapeou 180 áreas do cérebro, mais do que o dobro do mapa anterior.

Neurocientistas estão empolgados com os resultados, esse novo mapa não só ajudará neurocirurgiões a serem mais precisos, como possibilitará novos estudos compara o funcionamento dessas áreas em cérebros de indivíduos saudáveis com o funcionamento do cérebro de indivíduos com condições como autismo, esquizofrenia,etc.

O líder da pesquisa, Matthew Glasser, da Washington University, explica que com o novo software, foi possível mapear 97 novas áreas, sendo que cada área é uma secção que se dedica a coordenar um grupo particular de informações.

O novo mapa inclui as 83 áreas que já eram conhecidas, além das novas descobertas. A área 31, por exemplo, agora é dividida em 3 (31a, 31pd e 31pv).

A primeira vez que um mapa desse tipo foi feito, foi no começo do século XX, pelo cientista alemão K. Brodmann, e daí o termo "áreas de Brodmann".

No estudo atual, a amostra foi de 210 jovens saudáveis, que tiveram seus cérebros escaneados durante a realização de tarefas simples, como ler ou ouvir uma história.


Mais um texto sobre Quiropraxia, profissões e filosofia

Por Igor Sério Barbosa
curso de quiropraxia
Na qualidade de estudante de uma profissão que é tão jovem em sua origem e ainda mais jovem no Brasil, é bastante natural nos depararmos com algumas dificuldades iniciais, especialmente no que tange definições, terminologia, finalidade e diferenciação clara e objetiva daquilo que um profissional da Quiropraxia efetivamente faz.

Num primeiro momento somos tomados de entusiasmo, alegria e empolgação em torno de uma profissão bastante promissora, gratificante e que está intimamente relacionada com saúde e bem estar. Ao se envolver com os estudos, logo de saída nos deparamos com alguns problemas, como por exemplo, o que é quiropraxia? O que é, afinal, essa tal de subluxação vertebral? Muitos de nós, estudantes, geralmente ingressamos nos estudos da quiropraxia por conta do contato com outro quiropraxista, provavelmente um que tenha nos atendido, e é bastante comum que um quiropraxista utilize técnicas complementares, como por exemplo, kinesio tape, graston, etc, e por conta disso, em muito pouco tempo, passamos a ouvir de professores e ler tem textos termos novos como straights e mixers, referindo a duas grandes formas distintas de se pensar quiropraxia: uma supostamente pura, e outra supostamente não pura, respectivamente. Eventualmente nos deparamos também com mais termos, como pure straight e medical chiropractor, porém deixarei essas outras duas diferenciações para um outro dia, utilizando um espaço mais dedicado a isto.


Esse pequeno texto pretende ser meramente um resumo do entendimento deste que vos escreve para quem sabe auxiliar o colega estudante a se localizar nesse novo oceano de terminologias que é essa profissão. De antemão peço licença para informar que este texto não pretende ser imparcial, e reflete meu posicionamento atual acerca da profissão, porém, ainda em processo de construção, possível desconstrução e reconstrução.

Ao começar com a questão inicial de o que é a Quiropraxia, podemos começar a tentar responder que trata-se de uma profissão que cuida da coluna, entendendo profissão como uma ocupação especializada de um indivíduo no seio de uma sociedade. Mas isso só não basta, porque o ortopedista, o massagista, o osteopata e o fisioterapeuta também cuidam da coluna. Já ouvi dizer que o que diferencia o quiropraxista dos demais é a “especificidade”. Esse argumento não pode ser satisfatório, uma vez que qualquer um dos demais profissionais que também cuidam da coluna podem exibir essa tal especificidade, às vezes, inclusive, muito superior ao do quiropraxista, seja por técnica, seja por talento, quando relacionado à manipulação articular.

Eis, pois, que nos deparamos com dois termos que talvez possam nos ajudar. Ajuste e manipulação articular. A manipulação articular trata-se do reposicionamento de um osso em relação a outro ligado ao primeiro por uma articulação. Algo que tanto o quiropraxista quanto todos os demais profissionais listados acima também realizam. Já o ajuste, além de poder ser uma manipulação articular, possui uma singularidade, a saber; ele corrige uma subluxação vertebral.

Muito bem, agora conseguimos resolver parte do enigma. Quiropraxia é a profissão que cuida da coluna através do ajuste, que é a correção da subluxação vertebral. Agora surge um outro enigma. O que é uma subluxação vertebral?

Aqui nós podemos nos adiantar um pouco e anunciar que existem duas coisas, a Subluxação Vertebral de um lado, e o Complexo de Subluxação Vertebral do outro. Muitos profissionais utilizam os dois termos indiscriminadamente, alguns apenas um, outros apenas outro, e alguns dizem tratar-se da mesma coisa. Com alguma leitura e muita discussão, hoje tenho para mim que são termos absolutamente distintos, e a maneira que eles são utilizados revela seu posicionamento diante da profissão.

Vamos começar pelo mais curtinho, a subluxação vertebral. A subluxação vertebral é o desalinhamento de uma vértebra em relação à vertebra superior, à vertebra inferior ou a ambas, causando um estreitamento do forame, gerando uma pressão no nervo e interferindo na transmissão do impulso mental. Vou me deter um pouco no termo mental, e colocar em relevo o fato de que o impulso mental não é a mesma coisa que o impulso nervoso, pois isso é muito importante e faz toda a diferença. Faz toda a diferença porque o impulso mental não tem como ser medido. É um conceito puramente teórico e aparentemente metafísico. É a qualidade última do impulso, a informação específica, o “pensamento” contido nesse impulso. Já o impulso nervoso temos como medir. Podemos dizer que ele é quantitativo, é o movimento elétrico e químico da informação entre o cérebro e a parte enervada. 


Todos já devem ter ouvido falar que a quiropraxia é uma profissão composta de três grandes pilares: filosofia, ciência e arte. A filosofia da quiropraxia é vitalista, em oposição à filosofia da medicina tradicional, que é mecanicista. De maneira resumida, afinal, não há espaço aqui para tratarmos de todos os princípios da filosofia quiroprática, um ramo da quiropraxia entende o vitalismo de uma perspectiva criacionista, enquanto que outro, mais próximo da ciência, entende que nosso corpo é o resultado de 4567 bilhões de anos de evolução, de tentativa e erro na luta pela sobrevivência do organismo, que resultou nesse organismo absolutamente complexo. 


De todo modo, seja de um ponto de vista ou de outro, filosoficamente ambos contam com os conceitos de Inteligência Universal e Inteligência Inata. Inteligência Universal diz respeito à lógica de organização da matéria. Do ponto de vista do quiropraxista, o mundo é organizado. Há cientistas que defendem a ideia do caos, mas isso é uma questão de ponto de vista, e não há intenção de, neste texto, discutir quem está certo ou errado. O que importa aqui é que para a quiropraxia a matéria é organizada segundo uma lógica inteligente, e a matéria viva pertence a um subgrupo, cujas leis estão subordinadas às leis Universais, mas possuem um algo a mais. Essa matéria viva estaria subordinada a uma segunda ordem lógica que os quiropraxistas chamam de Inteligência Inata. Às regras da Inteligência Inata, apenas para fins de compreensão mas não de transcrição ou tradução, podemos fazer uma analogia simplista com o conceito de homeostase, que é o esforço de um organismo de tentar manter-se em equilíbrio enquanto ele ainda estiver vivo. Depois de morto, sua lógica pertence exclusivamente ao campo da Inteligência Universal. A matéria comum, se você esquentar ou esfriar ela, ela esquentará ou esfriará. A matéria viva, se você esquentá-la, ela procurará se resfriar de algum modo, se você esfriá-la, ela tentará se aquecer para se manter em equilíbrio.

Hipoteticamente, nosso corpo, já deste ponto evolutivo, é bastante capaz e habilitado para caminhar rumo à saúde, desde que não o atrapalhemos. Para isso, devemos ter uma boa dieta (seja lá o que significa isso), realizar exercícios corretamente (seja lá o que significa isso), e ter o sistema nervoso livre de interferências (isso, sim, sabemos o que significa: subluxações corrigidas!).

A medicina tradicional, mecanicista, aborda a questão da saúde por um outro ângulo. Ela circunscreve situações clínicas, delimita um quadro, nomeia doenças e cria tratamentos para essas doenças. Doenças são entidades clínicas que a medicina busca combater e eliminar, e para isso ela se vale da ciência positivista. A ciência é positivista porque busca demonstrar, mensurar e medir seus objetos de estudo. É preciso que o que quer que se esteja estudando, essa coisa deve ser passível de ser detectada, vista, sentida, contada, nem que seja através de aparelhos.

E é aqui que nos deparamos com a diferença entre subluxação e complexo de subluxação. Na subluxação não temos como medir o impulso mental. Mas podemos medir outras coisas que estão relacionadas com a subluxação, como a restrição de movimento de um segmento vertebral, alteração na musculatura, alteração na transmissão de impulso neurológico, atividade celular e fisiologia do corpo. Complexo de subluxação vertebral refere-se portanto ao conjunto dessas alterações causadas pela tal da subluxação vertebral. Acontece que como a quiropraxia precisa ser uma profissão reconhecida, porque numa sociedade estruturada definições são importantes para que as pessoas possam se organizar em comunidades e viver em harmonia, bem como cada profissional no seu quadrado por questões de diversas ordens, inclusive mercadológicas, é necessário dialogar com as demais profissões da área da saúde. Faz-se necessário traduzir o termo Subluxação Vertebral, nascido da filosofia vitalista da quiropraxia para o linguajar das ciências positivistas que precisa medir e mensurar, portanto, surge o Complexo de Subluxação Vertebral. 

Quiropraxistas straights adotam o termo Subluxação Vertebral, ou apenas Subluxação, e acusam mixers de saírem da linha, de abandonarem parcialmente a causa, de invadirem outras profissões, de lidarem com doenças enquanto entidades clínicas e se voluntariarem a tratar coisas que não lhes competem, e nessa briga, o rigor para com esses termos muitas vezes assume sua expressão máxima. Existe ainda, um terceiro grupo, chamado de medical chiropractor, que seria o quiropraxista que trabalha com o modelo médico. Diagnóstico e tratamento de problemas meramente mecânicos através da manipulação articular, sem considerar realmente implicações neurológicas. 

Sobre este ponto é que repouso minhas reflexões. A quiropraxia em sua originalidade, para lidar com a questão da subluxação lança mão de procedimentos que não são exclusivos da quiropraxia, mas eram território comum, por assim dizer, de outras profissões. Testes ortopédicos e neurológicos, manipulação articular, etc. Se essas coisas podem ser utilizadas visando a correção da subluxação, por que não graston, kinesio tape, massagem, exercícios, alongamento, manipulação de extremidades, crânio, etc, desde que fundamentada sua relação com a correção e prevenção da subluxação? A meu ver, por mais consolidada que esta visão esteja no mundo inteiro, e apesar de soar um tanto quanto ousado dizer isso na qualidade de um estudante de segundo ano, eu diria que não existem tais coisas como quiropraxistas straights e mixers. O que temos é, meramente, quiropraxistas mais versáteis ou menos versáteis, desde que possamos definir o quiropraxista como aquele que busca através do ajuste corrigir a subluxação, entendendo a definição de ajuste como a correção da subluxação seja lá através de que meio for, uma vez que essa remoção possa ser manual ou com aparelhos, como por exemplo, o ativador ou atlas ortogonal. 

O profissional que não estiver às voltas com o problema da correção da subluxação durante a execução do seu procedimento clínico, pode ser qualquer coisa, mas não é, num mundo que se preocupa com definições e distinções, um quiropraxista. Pelo menos não naquele momento.

Eis, pois, que a única via possível de distinção entre a quiropraxia e as demais profissões reside na Filosofia, pois é ela que dá a base do entendimento do componente mental da subluxação. Agora, se essa distinção é realmente importante, vou deixar isso para um outro texto. Respondendo então ao questionamento filosófico de uma colega que me perguntou qual a diferença entre a osteopatia e a técnica sacro-occiptal (SOT) de quiropraxia, criada por um quiropraxista que também era osteopata e traz muitas semelhanças uma com a outra: diferentemente do osteopata, o quiropraxista realiza todos os procedimentos, busca relacionar o líquor com os problemas relativos à subluxação, e através de todas as manobras e esforços, busca realizar o Ajuste.

Neste ponto do texto eu esbarro com novos problemas para os quais não tenho pressa em responder: como identificar com certeza uma subluxação? Como diferenciá-la de uma compensação? Qualquer interferência na expressão da Inteligência Inata pode ser considerada uma subluxação? Se sim, seria uma subluxação exclusivamente vertebral? Como se obtém um consenso? Creio que essas sejam questões que só o caminho da minha formação poderão me colocar no sentido de uma possível resposta.

O que Harvard tem a dizer sobre a Quiropraxia?


A Harvard Health Publications, um setor da Harvard Medical School, publicou um texto sobre Quiropraxia, e aqui vão alguns dos principais pontos:

"A Quiropraxia é um sistema de cuidados de saúde que defende que as estruturas do corpo, particularmente a coluna vertebral, afetam as funções de todas as outras partes do corpo. Os quiropraxistas trabalham para corrigir o alinhamento e assim aliviar as dores e melhoras o funcionamento para ajudar o corpo a curar a si mesmo.

Enquanto o eixo da profissão é a manipulação da coluna, os cuidados de Quiropraxia incluem uma variedade de outros tratamentos como terapias manuais, reeducação postural, instruções de ergonomia (como andar, sentar, e se evitar problemas na coluna), indicações nutricionais e em alguns casos uso de terapias instrumentais. (NT -  No Brasil, em respeito aos fisioterapeutas e nutricionistas, os quiropraxistas não utilizam indicações nutricionais e nem terapias como ultrasom, eletroterapia, etc). Além disso, quiropraxistas atualmente trabalham em conjunto com outros profissionais de atendimento primário, especialistas em dor e cirurgiões para tratar pacientes com dor.

A maior parte das pesquisas foca na manipulação articular da coluna para tratar dores. Mas a relação do tratamento de Quiropraxia para muitas outras condições -  incluindo outras condições musculo-esqueléticas, dores de cabeça, asma, síndrome do tunel do carpo e fibromialgia - tem sido estudadas. Uma pesquisa recente concluiu que a manipulação da coluna pode ajudar em casos de dores lombares, enxaquecas, dores no pescoço e lesões em chicote (NT - bastante relacionadas com acidentes de carro)

Existem relatos de complicações sérias seguidas da manipulação da cervical, contudo esses casos são extremamente raros e os estudos indicam que não há relação direta causada pelo tratamento.

"Manipulação de coluna" é um termo genérico usado para diversos tipos de terapêuticas de movimentação da coluna vertebral, mas mais precisamente aplicada a movimentos rápidos nas articulações entre duas vértebras. Esses movimentos levam a articulação um pouco além da amplitude de movimento normal e causam um tipo de "estralo". Esses sons distintos são relacionados com a mudança de um vácuo, ou a liberação de uma bolha dentro do líquido sinovial, o líquido que lubrifica as articulações da coluna e de outras articulações. Manipulações da coluna podem ser realizadas em diferentes direções, empurrando as vértebras diretas ou indiretamente. Isto deve ser feito somente e um segmento da coluna de cada vez. Quiropraxistas e outros profissionais realizam isso posicionando o corpo de modo específico e assim a força exercita por eles é focada em uma única articulação, enquanto a coluna acima e abaixo se mantem estáticas.

A a maioria das consultas demora entre 10 e 20 minutos e são agendadas duas ou três vezes por semana, no início do tratamento. A melhora dos sintomas é evidente depois de poucas consultas.
Adicionalmente, um quiropraxista pode aconselhar sobre mudanças na sua biomecânica e posturas, sugerindo outros tratamentos ou técnicas. O objetivo principal da Quiropraxia é ajudar no alívio da dor e auxiliar os pacientes gerenciarem melhor suas condições em casa"



Nota - A tradução foi feita para uso no Atlas de Quiropraxia, caso queira reproduzir por cópia, por gentileza cite a fonte.


Fonte: http://www.health.harvard.edu/pain/chiropractic-care-for-pain-relief

O Uso de Gelo em lesões agudas (preview)

O uso de gelo como abordagem terapêutica não só é comum, como muito antigo. Seria difícil enumerar aqui as diferentes profissões que utilizam algum tipo de crioterapia. Apesar da popularidade, o tema continua controverso, principalmente porque mesmo colegas de profissão discordam entre si sobres as vantagens e desvantagens da aplicação de compressas de gelo.

Depois de uma série de pesquisas questionando as vantagens da crioterapia, algumas deixando em aberto e outras não encontrando nenhuma evidência dos possíveis benefícios, alguns pesquisadores chegaram a encontrar inclusive que a aplicação de gelo pode retardar o processo de cura!

Contudo, uma recente pesquisa realizada na Universidade de São Carlos demonstrou que a aplicação de gelo em casos de lesão aguda não só ajudam a modular a reação inflamatória como não alteram a lesão em si ou mesmo a matriz extra celular.

As aplicações foram feitas em ratos anestesiados, imediatamente após a lesão induzida em laboratório, por 30 minutos e três sessões repetida mais três vezes com intervalos de 2 horas. O mesmo foi feito depois de 24 e 48 horas.

(Mais informações no texto completo - em breve)

VIEIRA RAMOS, G. et al. Cryotherapy Reduces Inflammatory Response Without Altering Muscle Regeneration Process and Extracellular Matrix Remodeling of Rat Muscle. Sci. Rep. 6, 18525; doi: 10.1038/srep18525 (2016).