Postura

Por Rafael Rodarte

Quais as influências de hábitos posturais na nossa vida? Você já deve ter escutado por aí sobre alguns problemas gerados por ela, que a grande maioria enfoca a parte mecânica.

Quem fica com o pescoço pra frente por muito tempo, muda o eixo de gravidade da coluna cervical e antecipa processos degenerativos no disco e articulações intervertebrais. Quem fica com a coluna arqueada tende a ficar "corcunda", causando sobrecarga em articulações específicas, principalmente na região torácica e alteração de tônus em alguns músculos. Quem senta sobre uma carteira que está no bolso de trás promove um desequilíbrio pélvico e assim por diante.

Mas você já ouviu falar que determinada pessoa tem uma postura exemplar ou inadequada em determinada situação? Por exemplo a história em que um homem achou um boleto de conta com dinheiro, foi ao caixa de banco e efetuou o pagamento do boleto desconhecido. Este homem sustentou uma postura altruísta, onde deu pra outra pessoa o que gostaria de receber. Já ouvimos também sobre pessoas indiferentes e intolerantes, que assim sustentam uma postura arrogante (com certeza pessoas bem distantes de nós!). 

Passamos então a entender que postura é algo mais que o posicionamento espacial do corpo. Tange o comportamento humano. É a forma como nosso meio interno se relaciona com o meio externo. Como lidamos com as questões que nos são apresentadas. E o corpo? Ele reage aos estímulos dos nossos padrões emocionais e racionais. Os humanos têm uma característica divina, que a é capacidade de criar. Estamos sempre criando, dentro e fora. Quando não nos preocupamos com as nossas criações, estamos sujeitos a criar algo desagradável, dentro e fora.

Nosso corpo está sempre se transformando. O corpo de hoje é reflexo do que vivemos no passado, e o que vivemos hoje é a semente do corpo de amanhã. Estamos sempre unindo os tempos na composição física. Cuidar da postura é cuidar da posição que adotamos nos nossos relacionamentos. Com pai e mãe, com cônjuge, amigos, sociedade, com as pessoas no metrô, trânsito, cinema, trabalho... E o corpo obedece. Vamos criando formas e o corpo materializando-as. O domínio total destas criações soa como utopia, mas dando pequenos passos podemos ver significativas transformações.

Levando um olhar atencioso ao corpo, podemos sentir determinado músculo contraído sem necessidade mecânica, e ao relaxá-lo, ganhamos espaço interno, que pode ser preenchido com positividades. Assim podemos devagar, construir uma personalidade mais harmônica e um padrão postural menos defensivo e mais propenso ao amor. O corpo é uma ponte que pode nos aproximar ou afastar, e depende apenas das nossas escolhas para que tenhamos mais união na nossa vida.

Se dar forma a um padrão físico é criação, adotar um padrão postural saudável significa buscar a plenitude. Criemos então espaço para o amor! Postura é a atitude do corpo.

E quem manda no seu corpo?

Lembre-se porque você está na Quiropraxia

Uma tradução do artigo de John Cox, DC - Remembering Why You Are In Chiropractic

Meu pai colocou o mundo da Quiropraxia em perspectiva para mim em diferentes momentos da minha carreira. Durante minha prática, tive momentos em que perdi a visão da real razão de  continuar a prática e ajustar as pessoas. É muito fácil ser capturado por aspectos negativos envolvendo a sua prática.  Questões com a equipe, ou você fica distraído com atividades não relacionadas ou preocupado com as contas. Apesar disso, se existir algo que tire seu foco dos pacientes, você nota que logo sua prática perde a diversão e o serviço de Quiropraxia torna-se nada além de um “trabalho”.

Eu estava no meu terceiro ano atendendo, quando eu confessei ao meu pai que não estava feliz com o tamanho da minha prática e da minha renda. Estava tratando muitas pessoas que dirigiam um Mercedes e que tinham mais dois, que viviam em casas multimilionárias, e freqüentemente tiravam férias enquanto eu ralava na clínica. Eu não era um milionário depois de três anos; Eu queria mais “coisas” e constantemente imaginava se poderia tirar um tempo de descanso Aqui está o que o meu pai disse e que me fez reavaliar a situação: “John, você já ajudou alguma das pessoas que atendeu nesses últimos três anos de prática?.” Respondi, “Bem, com toda certeza sim!. Meu pai então prosseguiu, “Tudo bem, se você ajudou ao menos uma única pessoa nos últimos três anos, então tudo que tem feito até este ponto valeu a pena. Leva tempo para a prática crescer;.Isto vai acontecer, mas ajudar as pessoas a sair da dor ou melhorar a saúde delas, é isso que você e a Quiropraxia devem fazer” Ele continuou a me lembrar que o dinheiro cuidaria de si mesmo com o tempo e a retomar meu foco para agir na proposta do meu “trabalho” na Quiropraxia: Estar disponível e ajudar as pessoas com ajustes. Se eu estivesse focado, todas as outras coisas cuidariam de si mesmas.

Você provavelmente conhece a história de um cara na praia, onde a maré deixava centenas de estrelas do mar encalhada. Ele pecava uma estrela atrás da outra e atirava-as de volta no oceano. Alguém percebeu o que ele fazia, foi até ele e disse que, com tantas estrelas do mar como havia na praia, era impossível jogá-las de volta na água antes que elas começassem a morrer. Ele disse “ Porque você está tão incomodado? Existem tantas estrelas do mar na praia, que diferença você acha que vai fazer?” O homem pegou outra estrela do mar e atirou de volta no oceano. “Para está faz diferença, não faz?” ele respondeu.

Um paciente, um ajuste, uma vida mudada.

Uma breve análise sobre B.J. Palmer e seu exemplo

"A quiropraxia vai mais profundo que "tratar a coluna para estimular ou inibir nervos", mais profundo que localizar a subluxação vertebral e ajustá-la, mais profundo que localizar a causa específica da disarmonia e corrigi-la para tornar saudáveis aqueles que estão doentes- cada um sendo uma limitação empírica ou uma fronteira a qual diferentes grupos se recusam ultrapassar. Quiropraxia vai profundo o suficiente para querer SABER o que faz os vertebrados funcionarem de modo característico, incluindo o gênero homo;porquê, como, quando e onde "a mágica acontece" *; como conhecimento é poder, a Quiropraxia tem um NOVO e o maior insight sobre a existência humana para apresentar."
BJ Palmer - Answers - 1952
* N.T. "he ticks", um conceito de difícil tradução para o português. É algo como "funcionar adequadamente, funcionar bem", por ser linguagem informal eu traduziria essa frase para "onde a mágica acontece".
Comentário -
Gosto dessa análise humana dos grandes mestres da Quiropraxia porque me ajuda a entender melhor (ou acreditar que entendo) seus pensamentos e mostra que eles também foram de sistema-nervoso-carne-e-ossos, como você e eu.
Tenho uma queda particular pelos textos do B.J.publicados durante e após a década de 50, são muito mais ricos que aqueles publicados antes. Talvez a experiência de escrever "The Biggness of the Fellow Within" e "Up From Below the Bottom" tenha sido um rito de passagem, talvez tenha gerado um longo período de auto conhecimento, de meditações e reflexões que fizeram com que B.J mudasse tanto que em muitos aspectos pareceria outra pessoa. Inclusive, se bem me lembro, é a partir desse período que B.J. volta a falar de D.D. com muito mais carinho e respeito (Duvido que fosse apenas um bom golpe de marketing, afinal a Palmer College sobrevivera por quase 40 anos após a morte de D.D.).
Muito mais importante que a publicação desses livros, no entanto, e a possibilidade ainda mais provável de tal mudança foi a morte de Mabel H. Palmer, a primeira dama da Quiropraxia. Mabel morreu exatamente em 1949, o ano em que B.J. começou a mudar de modo notável. O "novo" B.J. era mais humilde, espiritualizado e com pensamentos extremamente mais elaborados. Mais flexível, nessa fase B.J.me pareceu retomar o caminho da "filosofia, ciência e arte das coisas naturais e da vida" 
Seja como for, a ideia aqui é acender uma faísca de curiosidade pelo novo, pelo "pós-Stephenson". Muito se fala dos 33 princípios, e são inestimáveis, mas são a pura e simples síntese didática do conhecimento de um B.J. pré-1925. Precisamos ir além, precisamos da inquietude que fez do velhote o maior desenvolvedor da profissão. Perguntem, questionem, não aceitem! Não acreditem! Dane-se a crença, desejem o entendimento! O conhecimento! Nossa filosofia é muito mais rica do que podemos imaginar, nossa ciência é inestimável para o futuro da humanidade, e nossa arte tem que se adaptar às duas primeiras.