Uma Introdução à Quiropraxia Cervical Alta (Upper Cervical)


A Quiropraxia começou em 1895, nos EUA, usando procedimentos de avaliação e correção um tanto "rústicos".

Por volta dos anos 50, B.J. Palmer, o maior desenvolvedor da Quiropraxia e filho do criador da profissão, descobriu após quase 3 décadas de pesquisas que a primeira vértebra do pescoço, o atlas, é a mais crítica da coluna do ponto de vista mecânico e neurológico.



Palmer mostrou através de pesquisas clínicas controladas que, quando o atlas está desalinhado, causa desequilíbrio fisiológico. Ele também demonstrou que o desalinhamento causa interferência do fluxo dos nervos para todas as áreas do corpo. 

Hoje existem técnicas mais desenvolvidas, e que são ainda mais específicas e leves. Contamos com métodos e procedimentos mais eficientes para analisar e corrigir a subluxação vertebral da cervical alta, principalmente da primeira vértebra.


Blair é o nome de uma das principais técnicas especializadas, e também o sobrenome de seu desenvolvedor, o doutor William G. Blair.(1922 - 1985). Um protocolo único de avaliação e ajuste, que garante que cada pessoa seja ajustada de acordo com a sua anatomia e subluxação. É como uma "análise da Impressão Digital da coluna"., uma maneira de descobrir com maior exatidão informações sobre a subluxação de cada paciente. 

A Neurologia por trás do Leg Check

Amplamente utilizado, o Leg Check norteia a análise de muitas técnicas.

Historicamente é difícil estabelecer uma origem e mesmo a respeito da primeira padronização parece haver controvérsia. Para evitar (ou minimizar) erros, vou deixar essa questão em aberto para outra publicação.

Ao observarmos o procedimento, é fácil compreender o porquê da descrença de algumas pessoas. Muitos quiropraxistas, inclusive, desacreditam do Leg Check.

O Leg Check consiste em verificar se uma perna está “mais curta” que a outra. Dependendo da técnica que faz uso do Leg Check, a avaliação pode ser feita em Prono ou Supino. 

(A hipótese neurológica abaixo diz respeito ao Leg Check em Prono, visto que existem outras hipóteses para a avaliação Supino.)

A “perna curta” é um indicativo de subluxação vertebral, e maiores detalhes também dependem dos procedimentos de cada técnica, mas vamos entender o que é essa “perna curta” e porque ela ocorre, então ficará fácil discutir sua relação com a subluxação vertebral.

Um corpo balanceado, sem interferências na comunicação entre o cérebro e os demais sistemas, e sem disfunções proprioceptivas, em via de regra, apresenta pernas de igual comprimento e contração muscular postural significativamente simétrica.

Quando ocorre um desalinhamento de uma vértebra, ele é seguido de diversas reações, algumas simultâneas, então não se atenham à ordem:

O músculo que se insere nessa vértebra será esticado, isso vai estimular os Fusos Neuromusculares e os Órgãos Tendíneos de Golgi.

A cápsula articular de uma ou mais articulações facetárias (dependendo da listagem) irá apresentar uma pequena folga (Que começa a dar forma ao “nódulo”característico), enquanto que outra(s) cápsula(s) articular(es) aumentarão a tensão em um tipo de esticamento. Essa diferença de tensão será notificada pelos receptores proprioceptivos das cápsulas.

As superfícies facetarias da articulação com espaço reduzido pelo desalinhamento sofrerão aumento de atrito, o que ocasionará micro danos e, por consequência, um processo inflamatório, que é o responsável pelo edema, dor e alteração de temperatura local, que são outros fatores avaliados em algumas técnicas e que também comprometerão as funções proprioceptivas da região.

Todas essa informações serão conduzidas pelo trato espinocerebelar dorsal e ventral, por fibras do tipo A, para o cerebelo. Em seguida para o tálamo, o grande centro de integração, que vai direcionar as informações para a córtex motora e sensitiva.

Paralelo a isso, as informações de dor serão enviados diretamente para o Tálamo através de fibras do tipo C pelo trato espinotalâmico lateral, sendo então direcionadas para a córtex sensitiva primária.

Em resposta, a córtex motora e sensitiva desencadearão uma série de adaptações (mal-adaptações), como o reposicionamento da cabeça e olhos, reorganização da musculatura postural, dentre outros um pouco mais complexos.

Através do trato vestibuloespinal, os núcleos vestibulares coordenarão a resposta dos músculos posturais, e é a contração assimétrica desse grupo de músculos (essencialmente do grupo da pelve e membros inferiores) com base nas informações alteradas decorrentes da subluxação vertebral, que acarretará em uma perna curta.

(RESUMO)
Dessa forma, a razão direta pela qual as pernas apresentam diferença de comprimento, é a contração assimétrica da musculatura postural, principalmente da pelve e membros inferiores, decorrente de uma resposta proprioceptiva ao desalinhamento de uma vértebra.

Podemos observar essas reações fisiológicas em um contexto de causa e efeito clínico, no qual as pernas se igualam tão logo a subluxação vertebral seja corrigida.

(PÓS AJUSTE)
As respostas são rápidas, pois as fibras nervosas que informam o corpo sobre essas posições vertebrais aberrantes são do tipo 1 A, as mais rápidas do corpo humano. No entanto, a dor local costuma persistir mesmo amenizada, pois apesar do atrito entre facetas ter cessado, o sistema linfático precisará de mais tempo para remover os mediadores químicos e  inflamação.

Em breve uma publicação correlacionando a questão neurofisiológica abordada acima, com a prática de algumas técnicas.


Bibliografia

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J. H. J. Allum and F. Honegger. Interactions between vestibular and proprioceptive inputs triggering and modulating human balance-correcting responses differ across muscles


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KANDEL, E. et al. Principles of Neural Science. 5
ª Ed. Mc Graw Hill


GROSTIC John D. Dentate Ligament – Cord Distortion Hypothesis: Chiropractic Research Journal 1988; 1: 1


MINARDI J. The Complete Thompson Textbook-Minardi Integrated Systems.


GUYTON. Medical Physiology Textbook. 11ª Ed. 


(Diversos autores) Advanced Muscle Palpation - Biomechanics Prescribed By Nature


http://neuroscience.uth.tmc.edu/s3/chapter02.html



http://knol.google.com/k/what-is-atlas-orthogonal-chiropractic-technique




Efeitos da Subluxação sobre os músculos - Uma introdução.

Multífidos cervicais
A maneira que os músculos podem ser afetados quando há uma subluxação parece intrigar cada vez mais Quiropraxistas.

Não podemos simplificar afirmando que o músculo “relaxa” após o ajuste, pois enquanto alguns músculos, ou grupos musculares, diminuem o tônus, outros aumentam e isso não é estranho se entendermos como os músculos são afetados pela subluxação.

Observou-se que quando uma vértebra subluxa, os músculos reagem á ela, tanto os músculos cuja raiz afetada inerva, quanto aqueles que se originam ou inserem nesta vértebra.

Quanto aos músculos cuja raiz inerva, pesquisas indicam que ocorre hipertonicidade em conseqüência à inflamação próximo das raízes nervosas. Por sua vez, essa inflamação irrita as raízes e as deixa hiperestimuladas, diminuindo o limiar de excitabilidade.

Algumas técnicas valendo-se dessa alteração, desenvolveram testes e protocolos de avaliação para determinar quando e onde há subluxação.

Outra reação muscular à subluxação, ocorre na tentativa de corrigir o desalinhamento da vértebra. Quando uma vértebra subluxa, saindo de sua posição correta, os músculos que se fixam nesta vértebra, tentarão corrigir seu posicionamento.

Esse fenômeno ocorre devido ao estímulo de estiramento nos fusos e órgãos tendíneos de golgi dos músculos e tendões envolvidos. Eles fazem com que, “esticado”, o músculo contraia.

Quando uma vértebra subluxa, ela se fixa mal-posicionada, mesmo que poucos milímetros. Dessa forma os músculos não conseguem reposicioná-la, mas apresentam esse aumento de tonicidade, oferecendo mais uma ferramenta de análise para o Quiropraxista.


# Para Quiros
Um método de avaliação foi desenvolvido com base nessa segunda reação do corpo, chamado de Advanced Muscle Palpation, essa técnica consiste em listar a subluxação segundo os sinais que os músculos oferecem, dispensando, de certa forma, o uso do Raio-X. Para ajustar, o Quiropraxista pode optar pela técncia que achar melhor, já que a AMP é apenas para avaliar.